Foi com grande desgosto que presenciei mais um dia de “revolução” cá na terra de Vera Cruz. Parece bobo o que vou dizer aqui, mas senti a necessidade de escrever esse texto documentando minha percepção dos fatos ocorridos nesse último encontro (novamente numa tentativa desesperada).
Para mim, a plenária de ontem representava uma tentativa de diálogo comum entre os movimentos populares atuais (partidários ou independentes). Aguardei ansiosamente para ouvir as novas medidas e propostas de ação que tais movimentos estariam dispostos a apresentar. Sinceramente, fui de coração aberto. No entanto, só o que presenciei foi um grande desrespeito e incompreensão mútua. Me perguntei muito seriamente: será mesmo que é o fim da esquerda no Brasil? Queridos, confesso que saí de lá bastante preocupada... simplesmente não havia meios de diálogo possível. E o que mais me impressionava é que falávamos a mesma língua, e estávamos lá pelos mesmos motivos.
Como o IFCS estava bastante cheio, foi decidido que a discussão seria feita na parte externa do prédio. Houve ainda vários trâmites para serem resolvidos e nos adequarmos a essa organização: a espera do carro de som, a disposição das pessoas no espaço, etc. Dentro de tudo isso, uma das primeiras dificuldades foi fazer com que as pessoas concordassem em realizar a plenária sentadas, depois disso, começaram as diversas votações sobre como se daria a organização da plenária (inscrições, tempo de fala, etc.). O que demonstrava uma preocupação importante em garantir a democracia, mas que se tornava cansativo à medida que os presentes não demonstravam a mínima disposição para o consenso. Uma coisa entendi ontem: não basta ser libertário e querer estabelecer uma “nova-democracia”, ou ainda se dizer anarquista, socialista e ter grandes idéias revolucionárias. Antes disso, é preciso que tenhamos algumas atitudes basilares, essenciais se pretendemos fazer parte de um coletivo: respeito, consciência de cidadania, saber ceder, calar e ouvir quando necessário, e (o mais importante e mais difícil) abrir mão do egoísmo.
Confesso que não fui capaz de permanecer até fim da plenária (quando tudo foi se tornando muito pesado e não tive condições físicas e morais de continuar). A verdade é que me cansei de ouvir as pessoas pegarem o microfone para repetir o que eu e (acredito que) todos os que estavam lá ontem já estávamos cansados de saber com relação a todas as carências de nossa situação política e econômica. Pessoal, nós já constatamos os fatos (esse passo já foi dado), essa é a hora de decidir o que fazer daqui pra frente pra mudar isso. E agora nós estamos vivendo um momento importantíssimo pra pensar nisso. Só o fato de termos conseguido nos reunir num mesmo espaço, com tantos membros de coletivos populares quanto conseguimos ontem, já era uma oportunidade preciosíssima para tentarmos alguma comunicação.
O mais triste de tudo isso, não é saber de todos os problemas do país, mas constatar que estamos ainda muito distantes de realizar uma transformação de verdade. Apenas pelo simples fato de não conseguirmos nos comunicar, pois estudando teoria da comunicação, entendo que comunicar é “o ato de tornar comum, conhecido; idéias, pensamentos, sentimentos e propósitos, para que através disso, nos façamos compreender e alteremos algum comportamento”, e isso (até aonde assisti), a plenária de ontem infelizmente não alcançou.
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