A vida me vem em ondas, em rajadas. Me afoga, me abranda, me aturde, me alerta, me embala. Não tenho o direito de saber aonde vou. Sou levada. Deixo-me levar... Tem de ser assim? Tem de ser assim! tem de ser assim! Suas palavras me confundem. Minhas palavras lhe confundem. Somos dois estranhos que já se viram mas não lembram de onde. Numa praia ausente de movimento, gesticulamos, gritamos sem nos ouvir. Impossível nos ouvirmos. Já reparou em todo esse silêncio ocupando o espaço? Preenchendo o vazio das ondas sonoras... O silêncio se transformou numa massa densa que desmancha no ar. Se desintegra. Nos desintegra. Você se entrega ao sono pesado do não-saber. Eu desbravando noites infinitas de insônia, tentando entender. É inútil. Nunca nos será dado o direito de entender. As palavras se transformam em ondas sonoras que se (de)formam no espaço. As palavras são ditas, desditas e reditas. As palavras se quebram em toda a sua fragilidade. São leves, são levadas, se chocam na grande massa de silêncio do espaço. Abençoadas sejam as palavras que podem ser compreendidas e incompreendidas. O peso da escolha sentenciando a vida: nada pode ser diferente do que é. As palavras estão na vida. Uma vez ditas, elas são. Porém, possuem a grande vantagem sobre a própria vida: podem ser ditas, desditas, reditas... se transformam a cada onda, a cada vez que são ouvidas se ressignificam. O mesmo vento que as leva, as traz de volta. Porém, não é mais o mesmo vento, e por mais que traga as mesmas palavras, essas já serão compreendidas de uma outra forma. Nada é igual a nada. Graças por termos inventado as palavras. Porque nelas temos a capacidade de inventar e reinventar aquilo que deixa de ser.
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