É que se não cuidamos, qualquer palavra, qualquer olhar (mal-entendidos), qualquer memória despreocupadamente compartilhada, pode virar em semente de baobá no coração do outro. É preciso dizer, lembrar ao outro o quanto ele nos é importante. Isso é atualizar quem amamos na nossa vida. O tempo pode engolir as sementes de amores-frágeis que lançamos ao vento. É que me espanta o quanto somos fadados ao erro, ao descompasso. E se estar é ser, e se esse instante agora já for demasiadamente suficiente? O que virá a ser não existe e o que passou se transforma no que é. Pior é o que não foi. Esse também se não cuidamos vira baobá, de raízes fundas, que dó no coração, impossível tentar arrancar, melhor prever o seu surgimento.
Assim me deixo cair na neutralidade. O neutro me protege (ou pelo menos me faz sentir protegida). É a neutralidade do não-poder, não é indiferença (ainda não), é o que me dá leveza. Enfim admitir que não controlo nada, sobretudo no que diz respeito a mim mesma. Tudo flutua.
"Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé faca amolada
Plantar o trigo e refazer o pão de cada dia (Plantar o trigo e refazer o pão de todo dia)
Beber o vinho e renascer na luz de todo dia (Beber o vinho e renascer na luz de cada dia)
A fé, a fé, paixão e fé, a fé, faca amolada
O chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada (...)"
terça-feira, 30 de julho de 2013
segunda-feira, 22 de julho de 2013
o eterno
Aqui tudo é dilúvio. o Agora é o que não espero. é o eterno que sempre vai e vem. não quero esperar nada da vida. quero ir junto com o eterno. o eterno me livrará. vou me duluir no mundo. o fluxo me engolirá e deglutirá. cansei de pensar no que sou. essa é a pergunta que não se faz. quem estará pronto pra saber?
quinta-feira, 18 de julho de 2013
a paixão segundo G.H
Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? Estarei mais livre? Não.(…) Como é que se explica que o meu maior medo seja exatamente em relação: a ser? E no entanto não há outro caminho. Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra. (…) E uma desilusão.Mas desilusão de quê? se, sem ao menos sentir, eu mal devia estar tolerando minha organização apenas construída? Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade. No entanto na infância as descobertas terão sido como num laboratório onde se acha o que se achar? Foi como adulto então que eu tive medo e criei a terceira perna? Mas como adulto terei a coragem infantil de me perder? Perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que ser for achando. As duas pernas que andam, sem mais a terceira que prende.E eu quero ser presa. Não sei o que fazer da aterradora liberdade que pode me destruir. Mas enquanto eu estava presa, estava contente? Ou havia, e havia, aquela coisa sonsa e inquieta em minha feliz rotina de prisioneira? ou havia, e havia, aquela coisa latejando, a que eu estava tão habituada que pensava que latejar era ser uma pessoa. É? Também, também. Fico tão assustada quando percebo que durante horas perdi minha formação humana. Não sei se terei uma outra para substituir a perdida. Sei que precisarei tomar cuidado para não usar sub-repticiamente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de “uma verdade”. Mas é que também não sei que forma dar ao que me aconteceu. E sem dar uma forma, nada me existe. E – e se a realidade é mesmo que nada existiu?! Quem sabe nada me aconteceu? Só posso compreender o que me acontece mais só acontece o que eu compreendo – que sei do resto? O resto não existiu. Quem sabe nada existiu! Quem sabe me aconteceu uma lenta e grande dissolução? E que minha luta contra essa desintegração está sendo esta: a de tentar agora dar lhe uma forma? Uma forma contorna o caos, uma forma dá construção à substância amorfa – a visão de uma carne infinita é a visão dos loucos, mas se eu cortar a carne em pedaços e distribuí-los pelos dias e pelas fomes – então ela não será mais a perdição e a loucura: será de novo a vida humanizada. A vida humanizada. Eu havia humanizado demais a vida. Mas como faço agora? Devo ficar com a visão toda, mesmo que isso signifique ter uma verdade incompreensível? ou dou uma forma ao nada, e este será o meu modo de integrar em mim a minha própria desintegração? Mas estou tão preparada para entender. Antes, sempre que eu havia tentado, meus limites me davam uma sensação física de incômodo, em mim qualquer começo de pensamento esbarra logo com a testa. Cedo fui obrigada a reconhecer, sem lamentar, os esbarros da minha pouca inteligência, e eu desdizia caminho. Sabia que estava fadada a pensar pouco, raciocinar me restringia dentro de minha pele. Como, pois inaugurar agora em mim o pensamento? E talvez só o pensamento me salvasse, tenho medo da paixão. Já que tenho de salvar o dia de amanhã, já que tenho que ter uma forma porque não sinto força de ficar desorganizada, já que fatalmente precisarei enquadrar a monstruosa carne infinita e cortá-la em pedaços assimiláveis pelo tamanho de minha boca e pelo tamanho da visão de meus olhos, já que fatalmente sucumbirei à necessidade de forma que vem de meu pavor de ficar indelimitada – então que pelo menos eu tenha a coragem de deixar que essa forma se forme sozinha (...)" (a paixão segundo G.H, clarice, p10-13).
segunda-feira, 15 de julho de 2013
grão
amor: grão, semente tão frágil, tão forte, tão eterna... pequenina e vasta, lançada ao vento!
é o infinito de um grão.
um grão de segundo
um grão de terra
um grão de existência
um grão de possibilidade.
é o infinito de um grão.
um grão de segundo
um grão de terra
um grão de existência
um grão de possibilidade.
a leveza do instante
então tudo fica leve
nada mais importa tanto assim
indiferença?
não, leveza.
tudo escorre
como espuma do mar
me escorro
me vou
voo
longe longe longe longe
estou longe longe longe
a maior importância de tudo está no agora que escorre
nada morrerá
tudo morrerá
tudo renascerá
porque agora é sempre
sofrer com o peso do passado, do futuro, do não-dito, do inventado... tudo perde o sentido
tudo se desfaz
tudo se refaz
como onda do mar vou
me vou
me escorro
vontade de dizer eternamente
vontade de silenciar eternamente
vontade de:
nada mais importa tanto assim
indiferença?
não, leveza.
tudo escorre
como espuma do mar
me escorro
me vou
voo
longe longe longe longe
estou longe longe longe
a maior importância de tudo está no agora que escorre
nada morrerá
tudo morrerá
tudo renascerá
porque agora é sempre
sofrer com o peso do passado, do futuro, do não-dito, do inventado... tudo perde o sentido
tudo se desfaz
tudo se refaz
como onda do mar vou
me vou
me escorro
vontade de dizer eternamente
vontade de silenciar eternamente
vontade de:
sexta-feira, 12 de julho de 2013
vale a pena colher os frutos?
mas quais são esses frutos? nunca colherei os frutos que espero. como a gente se ilude!
eu que antes me via enxarcada por uma chuva de certezas, uma verdadeira tromba d'água era a minha vida, um riacho que corria por dentro... hoje olho pro céu límpido e seco. é o deserto em que estou. nesse deserto tudo é paz. tudo é silêncio e solidão. um estar em si que não cabe em si. é a abelha que não sabe que está presa. é a barata que não sabe que é eterna. é a vida que não sabe que é vida porque é.
eu que antes me via enxarcada por uma chuva de certezas, uma verdadeira tromba d'água era a minha vida, um riacho que corria por dentro... hoje olho pro céu límpido e seco. é o deserto em que estou. nesse deserto tudo é paz. tudo é silêncio e solidão. um estar em si que não cabe em si. é a abelha que não sabe que está presa. é a barata que não sabe que é eterna. é a vida que não sabe que é vida porque é.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
As palavras incompreendidas: tem de ser assim?
A vida me vem em ondas, em rajadas. Me afoga, me abranda, me aturde, me alerta, me embala. Não tenho o direito de saber aonde vou. Sou levada. Deixo-me levar... Tem de ser assim? Tem de ser assim! tem de ser assim! Suas palavras me confundem. Minhas palavras lhe confundem. Somos dois estranhos que já se viram mas não lembram de onde. Numa praia ausente de movimento, gesticulamos, gritamos sem nos ouvir. Impossível nos ouvirmos. Já reparou em todo esse silêncio ocupando o espaço? Preenchendo o vazio das ondas sonoras... O silêncio se transformou numa massa densa que desmancha no ar. Se desintegra. Nos desintegra. Você se entrega ao sono pesado do não-saber. Eu desbravando noites infinitas de insônia, tentando entender. É inútil. Nunca nos será dado o direito de entender. As palavras se transformam em ondas sonoras que se (de)formam no espaço. As palavras são ditas, desditas e reditas. As palavras se quebram em toda a sua fragilidade. São leves, são levadas, se chocam na grande massa de silêncio do espaço. Abençoadas sejam as palavras que podem ser compreendidas e incompreendidas. O peso da escolha sentenciando a vida: nada pode ser diferente do que é. As palavras estão na vida. Uma vez ditas, elas são. Porém, possuem a grande vantagem sobre a própria vida: podem ser ditas, desditas, reditas... se transformam a cada onda, a cada vez que são ouvidas se ressignificam. O mesmo vento que as leva, as traz de volta. Porém, não é mais o mesmo vento, e por mais que traga as mesmas palavras, essas já serão compreendidas de uma outra forma. Nada é igual a nada. Graças por termos inventado as palavras. Porque nelas temos a capacidade de inventar e reinventar aquilo que deixa de ser.
da leveza e do peso (ou o medo de viver)
Para ela era insuportável o peso. Ela era quase esmagada por seu próprio peso e pela leveza dele. Seu peso a envergonhava. Sempre o escondia (até de si mesma). Agora ia ficando fraca. Era o abismo a sugando? Queria cair, não queria mais pensar no que pensariam dela. Só queria que a deixassem em seu canto, caindo. Queria esquecer o que sentia. Não queria mais sentir o que sentia. Não queria mais ser quem era. Queria mostrar para si mesma o quanto era forte. Estava cansada de se trair, de se contradizer. Sentia vergonha de estar sendo quem era, era desonesta consigo. Não adiantava dizer que estava tudo bem, e fingir para si mesma que era leve, não era, nunca tinha sido. E agora estava prestes a se libertar de uma situação que só havia lhe trazido sofrimento. Ela havia se viciado no sofrimento, mas agora havia decidido tomar um rumo diferente. Já não queria mais pensar nos efeitos que essa sua atitude poderia causar. Queria apenas sumir. Completamente. Se enfiava em situações que não sabia como sair. Sim, iria fugir. Fugir agora não era mais sinal de fraqueza, mas sua maior franqueza. Precisava se respeitar. Se não se respeitasse, ninguém mais o faria. Ela veio se sabotando durante muito tempo. Se enganando que era tudo leve. Mas ela estava se escondendo de si mesma. Suportando um fardo que não era seu. Não tinha que ser. Não era mais. Estava cansada. Cansada de olhar no espelho e ver a fraca que era. Fraca por não ter coragem de fugir. Fraca por alimentar uma situação que detestava. Fraca por ter estado sempre lá. Pronta pra quando precisassem dela. Era usada porque se deixava usar. Ele nunca a amara. E isso era um fato. Por que era tão difícil admitir? Acontece. Não poderia mais suportar, estava caindo... E pensava se agora também não estaria se enganando. Se essa atitude não seria uma forma de se iludir. Um silêncio que no fundo gritava: “olhe, estou indo embora, me segure!” Não, se fosse deveria ir de uma vez. Retornava sempre ao mesmo ponto de partida. Mas não partia. Nunca conseguia partir. Agora precisava ir sem olhar pra trás. Ir sem deixar uma espera. Ir sem qualquer espera. Estava adiando a vida que transbordava dentro dela. Esses jogos que criava, que alimentava... isso não levaria a nada. Sabia disso. Por que continuar? Por que se enganar? Se fosse embora estaria sendo ela mesma. Estaria sendo honesta. Queria amar ainda. Queria ser amada ainda. Precisava se permitir isso. Se continuasse se prendendo estaria evitando a vida. Já não podia mais evitar a vida. No fundo sabia que se acomodava nessa eterna espera pra evitar a vida. O sofrimento que forjava para si mesma nessa espera nem se comparava ao sofrimento que estaria exposta se resolvesse viver de fato. Seria um sofrimento real. Tal qual sentira das últimas vezes que tentara viver. Quando a vida lhe ultrapassara. Quando de repente não pode mais dar conta da vida. Então se agarrou aquele sofrimento velho, esgarçado. Aquele sofrimento que nem sofria mais, só fingia sofrer. Que a iludia de estar vivendo. Era tudo uma grande mentira que inventara pra si mesma. Que inventara para se proteger. O trauma tinha sido mais fundo do que imaginara: não sofria mais pelo sofrimento em si (ele já havia se esgotado, tanto que não chorava mais), agora sofria pelo medo, pelo medo de viver.
Sobre a última plenária das esquerdas “unificadas”: celebrando nossa desunião
Foi com grande desgosto que presenciei mais um dia de “revolução” cá na terra de Vera Cruz. Parece bobo o que vou dizer aqui, mas senti a necessidade de escrever esse texto documentando minha percepção dos fatos ocorridos nesse último encontro (novamente numa tentativa desesperada).
Para mim, a plenária de ontem representava uma tentativa de diálogo comum entre os movimentos populares atuais (partidários ou independentes). Aguardei ansiosamente para ouvir as novas medidas e propostas de ação que tais movimentos estariam dispostos a apresentar. Sinceramente, fui de coração aberto. No entanto, só o que presenciei foi um grande desrespeito e incompreensão mútua. Me perguntei muito seriamente: será mesmo que é o fim da esquerda no Brasil? Queridos, confesso que saí de lá bastante preocupada... simplesmente não havia meios de diálogo possível. E o que mais me impressionava é que falávamos a mesma língua, e estávamos lá pelos mesmos motivos.
Como o IFCS estava bastante cheio, foi decidido que a discussão seria feita na parte externa do prédio. Houve ainda vários trâmites para serem resolvidos e nos adequarmos a essa organização: a espera do carro de som, a disposição das pessoas no espaço, etc. Dentro de tudo isso, uma das primeiras dificuldades foi fazer com que as pessoas concordassem em realizar a plenária sentadas, depois disso, começaram as diversas votações sobre como se daria a organização da plenária (inscrições, tempo de fala, etc.). O que demonstrava uma preocupação importante em garantir a democracia, mas que se tornava cansativo à medida que os presentes não demonstravam a mínima disposição para o consenso. Uma coisa entendi ontem: não basta ser libertário e querer estabelecer uma “nova-democracia”, ou ainda se dizer anarquista, socialista e ter grandes idéias revolucionárias. Antes disso, é preciso que tenhamos algumas atitudes basilares, essenciais se pretendemos fazer parte de um coletivo: respeito, consciência de cidadania, saber ceder, calar e ouvir quando necessário, e (o mais importante e mais difícil) abrir mão do egoísmo.
Confesso que não fui capaz de permanecer até fim da plenária (quando tudo foi se tornando muito pesado e não tive condições físicas e morais de continuar). A verdade é que me cansei de ouvir as pessoas pegarem o microfone para repetir o que eu e (acredito que) todos os que estavam lá ontem já estávamos cansados de saber com relação a todas as carências de nossa situação política e econômica. Pessoal, nós já constatamos os fatos (esse passo já foi dado), essa é a hora de decidir o que fazer daqui pra frente pra mudar isso. E agora nós estamos vivendo um momento importantíssimo pra pensar nisso. Só o fato de termos conseguido nos reunir num mesmo espaço, com tantos membros de coletivos populares quanto conseguimos ontem, já era uma oportunidade preciosíssima para tentarmos alguma comunicação.
O mais triste de tudo isso, não é saber de todos os problemas do país, mas constatar que estamos ainda muito distantes de realizar uma transformação de verdade. Apenas pelo simples fato de não conseguirmos nos comunicar, pois estudando teoria da comunicação, entendo que comunicar é “o ato de tornar comum, conhecido; idéias, pensamentos, sentimentos e propósitos, para que através disso, nos façamos compreender e alteremos algum comportamento”, e isso (até aonde assisti), a plenária de ontem infelizmente não alcançou.
Para mim, a plenária de ontem representava uma tentativa de diálogo comum entre os movimentos populares atuais (partidários ou independentes). Aguardei ansiosamente para ouvir as novas medidas e propostas de ação que tais movimentos estariam dispostos a apresentar. Sinceramente, fui de coração aberto. No entanto, só o que presenciei foi um grande desrespeito e incompreensão mútua. Me perguntei muito seriamente: será mesmo que é o fim da esquerda no Brasil? Queridos, confesso que saí de lá bastante preocupada... simplesmente não havia meios de diálogo possível. E o que mais me impressionava é que falávamos a mesma língua, e estávamos lá pelos mesmos motivos.
Como o IFCS estava bastante cheio, foi decidido que a discussão seria feita na parte externa do prédio. Houve ainda vários trâmites para serem resolvidos e nos adequarmos a essa organização: a espera do carro de som, a disposição das pessoas no espaço, etc. Dentro de tudo isso, uma das primeiras dificuldades foi fazer com que as pessoas concordassem em realizar a plenária sentadas, depois disso, começaram as diversas votações sobre como se daria a organização da plenária (inscrições, tempo de fala, etc.). O que demonstrava uma preocupação importante em garantir a democracia, mas que se tornava cansativo à medida que os presentes não demonstravam a mínima disposição para o consenso. Uma coisa entendi ontem: não basta ser libertário e querer estabelecer uma “nova-democracia”, ou ainda se dizer anarquista, socialista e ter grandes idéias revolucionárias. Antes disso, é preciso que tenhamos algumas atitudes basilares, essenciais se pretendemos fazer parte de um coletivo: respeito, consciência de cidadania, saber ceder, calar e ouvir quando necessário, e (o mais importante e mais difícil) abrir mão do egoísmo.
Confesso que não fui capaz de permanecer até fim da plenária (quando tudo foi se tornando muito pesado e não tive condições físicas e morais de continuar). A verdade é que me cansei de ouvir as pessoas pegarem o microfone para repetir o que eu e (acredito que) todos os que estavam lá ontem já estávamos cansados de saber com relação a todas as carências de nossa situação política e econômica. Pessoal, nós já constatamos os fatos (esse passo já foi dado), essa é a hora de decidir o que fazer daqui pra frente pra mudar isso. E agora nós estamos vivendo um momento importantíssimo pra pensar nisso. Só o fato de termos conseguido nos reunir num mesmo espaço, com tantos membros de coletivos populares quanto conseguimos ontem, já era uma oportunidade preciosíssima para tentarmos alguma comunicação.
O mais triste de tudo isso, não é saber de todos os problemas do país, mas constatar que estamos ainda muito distantes de realizar uma transformação de verdade. Apenas pelo simples fato de não conseguirmos nos comunicar, pois estudando teoria da comunicação, entendo que comunicar é “o ato de tornar comum, conhecido; idéias, pensamentos, sentimentos e propósitos, para que através disso, nos façamos compreender e alteremos algum comportamento”, e isso (até aonde assisti), a plenária de ontem infelizmente não alcançou.
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