sim, nunca há testemunhas
e assim maio me avança
me atravessa
me rasga
me despedaça
antes que eu me lembre de quem eu era
já não me lembro mais
me ultrapasso no agora
no passo que se faz firme
porque assim deve ser
nas olheiras que me afundam e me fundam no meu tempo
estamos expostos à vida o tempo inteiro e não nos damos conta
só não percebemos porque nos adaptamos num semi-viver
quando se vive de verdade se morre ao mesmo
é só quando morremos que estamos vivos
eu estava lá toda aberta e a vida sangrando em volta
tudo era carne-viva e morta
e depois então a paz
paz de se compreender
de se abraçar e dizer: "já vai passar... não é nada"
quando somos capazes de compreender a nós mesmos não há a necessidade de que ninguém mais o faça.
estou em mim mesma.
"Le rouge et le naît des tortures sont les fleurs du mal." (noir désir)
quando for capaz de me respeitar e de amar meu rato
só então serei digna de amar o mundo.
"Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza?" (c. lispector)
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