Admiro estranhos que, em meio à correnteza da vida, se viram e mudam de rumo.
Que carregam no olhar a inquietude de quem muda de ideia;
Que procura e não sabe o que procura.
Que se senta, abre um livro e não lê, talvez porque já haja bastante metafísica em não pensar em nada.
Que olham para a frente e não veem nada, e com olhar vago e perdido, continuam a vagar.
Ou, ainda, me esqueço observando aqueles que esquecem (a si mesmos) lendo em pé, em meio a espera.
Que caminham por entre os seres do mundo com uma curiosidade quase ingênua,
E que mesmo assim carregam no olhar a honestidade de quem já sabe o que é sofrer.
Estranho como estranhos nunca deixam de ser estranhos
Não sei dizer como a vida nos atrai e por um triz quase aproxima.
Confesso que a vida seria mais dura se não fosse a glória do acaso.
Confesso que, por vezes, sigo estranhos na rua
Apenas para sentir o prazer de descobrir em qual ponto da avenida nossos caminhos vão se perder.
E às vezes, com sorte, nós ainda conseguimos trocar um olhar e um sorriso (sinceros, mesmo que tímidos) de quem sabe que viver não é facil
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