segunda-feira, 11 de março de 2013

ser das coisas, coisas do ser

Amor sempre foi onda
Tirando meus pés do chão
Me atraindo com suas belezas e sons
Me traindo as pernas
Me salgando as narinas
Me afogando o peito

Hoje navego por águas tranquilas
Apenas uma leve brisa sinto
Vou sem pressa por esse imenso mar
Por muito tempo o medo da própria sombra...

Hoje de repente perde-se o medo
De ser
De dizer

Se é
Se diz

Os silêncios do outro não são mais uma vertigem
negra
que te engole
O silêncio também é
Não se sabe o que é
Não se precisa mais saber
Mas é
E será
Igualmente não se sabe o que
Também poderá não ser
(mas tudo de algum forma sempre é)

Isso apazigua minha inquietação
Meus sonhos
Meus devaneios
Minhas palavras indizíveis
Tudo é (e pode ser) em alguma parte do universo
Assim me basto.

Um comentário:

  1. Vejo toda uma menina-mulher que tropeça, levanta, olha pros lados, volta a brincar, olha pro céu, pra pedra, tenta tirar leite e explicação da imensidão da vida, mas ao mesmo tempo se aquieta, se acalma, passados os amores e histórias que já a fizeram entender certas palavras indizíveis, guardar ou soltar outras tantas sensações indizíveis...

    Assim seguimos, minha grande amiga. "De repente a vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser." Meu coração abraça você.

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