quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

lágrimas e panquecas

Ela se doava todos os dias. por amor, ela dizia. por amor, ela acreditava. e então, veio a espera que paralisa... descobriu que não podia controlar tudo, que não podia entender tudo... não entendeu, por exemplo, quando lhe disseram que podia estar errada. para ela só havia uma única maneira de ver as coisas: a dela.
Para ela, a realidade não é uma questão, é um fato. Palpável. Perceptível. Indicutível. Material.
A ausência do que se esperava acontecer gerou frustração. Tentou então, desesperadamente, provocar a culpa do outro. Só que o outro, que era bem diferente dela, isentou-se. Nova frustração: viu-se incapaz de inventar culpados. Descobriu que não era dona do sentir do outro. Disfarçou sua vergonha com um tom de orgulho na voz. Fera ferida.
Ah, se tentasse ver a coisa por outro ângulo... como a vida lhe seria mais maleável! Mas para isso ela teria de descer do seu castelo de marfim. Firme. Seguro. Confortável. Acontece que, não sei se já disse, para ela isso nem chegava a ser uma questão. Logo, descer não era possível porque ela havia se esquecido de inventar essa possibilidade. Presa no alto da torre de seu egoísmo, era incapaz de vislumbrar a vastidão do universo. não entendia também o quanto isso dificultava a existência de quem vivia a seu redor. Tudo o que não se encaixava em seu projeto de perfeição era prejudicial.
Estava condenada a uma prisão sem grades.

"As possibilidades de felicidade são egoístas, meu amor..." (Cazuza)

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