Só posso dar ao mundo o que tenho: mãos e pés.
Andar se aprende andando
O coração se reinventou
Esqueceu de me avisar
Fiquei pra trás olhando a esquina que passou
Eu que tinha certeza da resposta
Achei que podia inventar o final da minha história
Agora fiquei aqui me sentindo um pouco tola...
Como se tivesse saído sem arrumar a cama.
Estou diante da porta
Esqueci a senha
Não se pode mais entrar
Preciso inventar uma outra
Encontrar outra porta
Ou mesmo ser porta.
Sem passar agosto esperando setembro
Não podem haver amanhãs
Antes do Hoje
que é singular.
Sensação amarga de perda retardada,
perda que na verdade não se teve
porque nunca houve o que perder.
Sensação anacrônica:
Uma composição de tempos múltiplos,
Confusão de setas que apontam pra Lugar-Nenhum
Consumida por um nada.
Para emergir do Nada
É só me esquecer de ser
Sou humana e condenada à consciência
Embora saiba de alguns métodos alienantes bastante salutares,
Hoje preciso esquecer do que sei
Saber me faz tentar parecer o que não sou
Acabo virando uma tela cubista:
Um esboço grotesco de mim.
Quando se é não se tem o que mostrar
pois já não se tem também o que esconder
Sem vergonha nem orgulho do que foi
Basta seguir
A esperança não pode ser adiada
A esperança no Hoje é só fé
Basta a Fé em ser o que se é
E então
Cada instante vira uma invenção, uma improvisação, uma percepção
Me basto.
"Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança (...)"
Camões)
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