quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
o mais profundo é a pele
é que além disso, não sabia porque precisava arrancar os pelos que novamente insistiam em crescer. como é isso de dizer exatamente o que se sente? seria possível? como fazer as palavras expressarem o que sentia no exato momento em que lia a própria pele? procurava pelos menores detalhes, pelas mínimas marcas que a faziam tão diferente . olhava. procurava. o menor dos detalhes a perdia horas no banheiro... as marcas dos pelos arrancados e dos que lhe iam nascendo por cima iam ficando em sua pele. a pele era seu único mapa. como ser encontrável para si? como se encontrar se vestia o único mapa que dispunha? tanto se olhava e menos se via. todo esse desconforto reverberava além mapa: suas roupas também lhe iam mal, como se nunca tivessem sido feitas pra ela. usava-as por sobre o mapa. tampava-se de si mesma e dos outros. e se a encontrassem? e se descobrissem nela uma rota de acesso, um caminho possível? se nem ela própria teria ousado ainda se percorrer... ia ficando cada vez mais difícil se mostrar e sabia que chegaria uma hora em que não teria escolha. quando se dava era sempre no escuro. entregaria-se como bem a quisessem, mas no fim sempre se escondia. se escondia no escuro, num canto com um gemido baixo de quase-satisfação. tateava-se.
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