quarta-feira, 3 de abril de 2013

a joão e ao amor

que tanto amo em joão?

não, não é a cor de seus olhos, nem como o céu reflete neles
também não é o modo sem preocupação com que movimenta seu corpo pelos lugares
não, não é a barba por fazer, também não é a forma como arruma o cabelo bagunçado
nem o tom ou a textura de sua pele (que poderia ser qualquer uma e sendo qualquer uma, eu ainda a amo por ser qualquer uma). talvez seja a maneira como olha sempre a frente o horizonte que é sempre agora, sim, talvez seja isso. não, mas acho que ainda não é. a maneira como acredita nesse horizonte sem medos. a maneira como olha para as cores das coisas e instantaneamente as cores das coisas lhe olham. esse amor que preservo por joão talvez seja o que tanto amo em joão. porque sou desses seres que estendem sentimentos por onde passa, que sentem à última gota, só pra sentir. que escrevem poema e acabam em prosa. e por tanto amar joão não ouso descobrir que tanto amo em joão.

"Amar a nossa falta mesma de amor, e na segura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito e a sede infinita." (Drummond)

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