quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

via láctea

Olha, te digo que ouço estrelas e
esteja certo de que já há muito perdi o senso.

Eu, em meio a todas as dúvidas sobre a vida,
indecisões e dramas dos 20 anos
em uma noite como outra qualquer
abro uma revista qualquer
e sou informada de que a 7,5 mil anos-luz da Terra, na região nebulosa Carina, "as estrelas nascem e morrem em um violento inferno de ventos estelares e radiação ultravioleta."

Queria poder dizer a cada uma dessas estrelas
que também eu venho nascendo e morrendo a meu modo e
que mesmo com 7,5 mil anos-luz nos separando o universo é o mesmo para nós.

O universo é um verso do que, à flor da pele, sinto.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

tudo dói

vive-se numa busca por prazer
mas o que é prazer?
prazer não se sente
prazer se é
dor se é
dor e prazer são a mesma sensação
não há prazer
esse suor que transpira por meu corpo
não é prazer
meu corpo transpira porque dói
dói agudamente como o acento agudo da palavra dói...

e porque dói sou.

sem pressa vou
o instante agora nunca é o mesmo
vai
o corpo não alcança a velocidade do espírito
vai em seu tempo.

ir a outro lugar só é ir de fato quando se deixa algo pra trás
ir carregando o que não se tem mais braço pra carregar é ficar.
carrego o que posso carregar e é o que me basta por hoje
o amanhã será outro:
e.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

lágrimas e panquecas

Ela se doava todos os dias. por amor, ela dizia. por amor, ela acreditava. e então, veio a espera que paralisa... descobriu que não podia controlar tudo, que não podia entender tudo... não entendeu, por exemplo, quando lhe disseram que podia estar errada. para ela só havia uma única maneira de ver as coisas: a dela.
Para ela, a realidade não é uma questão, é um fato. Palpável. Perceptível. Indicutível. Material.
A ausência do que se esperava acontecer gerou frustração. Tentou então, desesperadamente, provocar a culpa do outro. Só que o outro, que era bem diferente dela, isentou-se. Nova frustração: viu-se incapaz de inventar culpados. Descobriu que não era dona do sentir do outro. Disfarçou sua vergonha com um tom de orgulho na voz. Fera ferida.
Ah, se tentasse ver a coisa por outro ângulo... como a vida lhe seria mais maleável! Mas para isso ela teria de descer do seu castelo de marfim. Firme. Seguro. Confortável. Acontece que, não sei se já disse, para ela isso nem chegava a ser uma questão. Logo, descer não era possível porque ela havia se esquecido de inventar essa possibilidade. Presa no alto da torre de seu egoísmo, era incapaz de vislumbrar a vastidão do universo. não entendia também o quanto isso dificultava a existência de quem vivia a seu redor. Tudo o que não se encaixava em seu projeto de perfeição era prejudicial.
Estava condenada a uma prisão sem grades.

"As possibilidades de felicidade são egoístas, meu amor..." (Cazuza)