terça-feira, 9 de setembro de 2014
concha
ela pôs as mãos em forma de concha por sobre meus ouvidos e pediu que eu prestasse atenção a minha respiração, respirando pelo nariz e soltando o ar sempre pela boca com um som. nesse instante me torno uma concha. começo a reconhecer as dimensões de um corpo-carapaça. a imagem toda rastejante e molenga que fiz de mim mesma antes, aos poucos vai se calcificando. lentamente desacelero a respiração e inspiro e expiro o ar que vibra em ondas sonoras pelo meu corpo. atenta aos ruídos internos, sou como a concha que no oceano das sensações passadas guarda todos os sons que é capaz de captar. os sons internos que agora percebo são ressonâncias de histórias que o oceano lá fora me trouxe.
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