Há terra dentro de mim
sou fruto da terra de que brotei
Em mim, cada reentrância, cada raiz é uma entranha de meu ventre
Que dilata, distende, contrai
E essa dor fina que me brota é pura e sagrada
Porque assim também a terra que piso é sagrada
De repente o medo perde o sentido
O medo que sinto tão grande de ser
Como pode ter medo de ser o que faz parte de você?
Sou terra dura esfarelada que respira, sou da mesma cor que essa terra: vermelha.
Minha carne tem gosto de terra e agora ela se revolve toda me deslocando
Sinto agora a dor mais sincera de olhar para o que sou feita e não temer, não duvidar
Agora isso já não é mais possível
Só o que é, sentir o que é:
Sangue grosso e quente escorrendo de dentro de minhas raízes
Raízes que percorrem minhas veias, pulsando-as com força
Ao mesmo tempo que a dor me traz uma paz branda e serena
É na contração que o feminino se expande.
Meu útero é uma batata doce se descascando.
lindo,lud!
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