Me encho de passado
Me esvazio das vontades
Perco as forças e me deixo levar
Se hoje é hoje como posso esquecer o que passou?
Eu sei que estamos sempre indo
Eu sei, nada é estanque, tudo se renova, mas será?
Até que ponto as coisas deixam de ser?
É esse resíduo que nunca vou conseguir apagar
Olho pra trás, viro estátua de sal
Não posso olhar pra trás e seguir, se olho pra trás instantaneamente me apago no presente
Deixo a casa, vou correndo, vou embora, quero ar, mas eu não posso fugir de mim mesma.
E seu eu tivesse amnésia?
E se eu simplesmente esquecesse quem eu sou, quem você é, quem todo mundo é... poderia começar de novo?
Quando o passado vem em onda, lembro de quem fui, lembro de todas as situações, todas as tristezas, todas as alegrias... todas?
Até que ponto posso confiar nas memórias? memória é memória e o que foi não é, mas e quando o que é sempre é depois?
Nunca se poderá saber de nada.
Mergulho em mim
Mergulho no que foi e não sei se volto
Bom mesmo é sair, tomar um ar e esquecer
Esquecer é o que alivia
Esquecer pra seguir.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
o que já foi
de novo e de novo e de novo
nada é real, tudo impressão, marca de um que já foi
então o que é?
me diz meu amor, porque não sou capaz de perceber o que é?
se estou sempre atrasada
sempre no que já foi
será que tem de ser tudo sempre tão perfeito?
se já sabemos que o perfeito não existe então por que ainda o esperamos?
se todas as cartas de amor são ridículas, me diz, por que continuamos a escrevê-las?
esperando os acontecimentos de sempre
por que insistindo?
eu, pra quem o agora é sempre depois
eu que vivo de memória
nada é real, tudo impressão, marca de um que já foi
então o que é?
me diz meu amor, porque não sou capaz de perceber o que é?
se estou sempre atrasada
sempre no que já foi
será que tem de ser tudo sempre tão perfeito?
se já sabemos que o perfeito não existe então por que ainda o esperamos?
se todas as cartas de amor são ridículas, me diz, por que continuamos a escrevê-las?
esperando os acontecimentos de sempre
por que insistindo?
eu, pra quem o agora é sempre depois
eu que vivo de memória
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