e agora como vou fazer pra dizer o que sinto no sumo do peito? como dizer que não acredito mais? por que às vezes parece tão real, mas depois parece que vou afundar de novo? afundo e afundo num ciclo vicioso. eu quero sair, ver a luz, não quero cair no abismo pela segunda vez. E se eu acreditar? E se eu achar que acredito em algo que não é, que nunca foi? Por que sempre me sinto tão vulnerável a você? a porta está aberta e eu não posso sair. não quero ser Teresa e ir embora querendo na verdade que você venha me resgatar. sua indiferença impassível é o que mais me destrói, perto disso me sinto tão fraca e caio de novo no abismo. Parece que tudo o que acredito vira sonho, que nunca existiu... como faço pra ver o que é? por que você não se importa e eu fico me sentindo mais uma vez exposta à poeira dos dias... no fim das contas parece que tudo só existiu dentro de mim. e eu já não sei mais como acreditar. dá vontade de parar de tentar arrancar as raízes... e só deixar elas entrarem mais na carne. por que estou desistindo tão fácil? é que o medo de pensar que sou livre pra ir é maior do que o meu medo de ficar.
"De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé - muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulisses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre."
Nenhum comentário:
Postar um comentário