Se amo, porque então sempre essa codição?
Quero amar sem esperar pelo amor
Quero ter a coragem de dizer "eu te amo" e receber silêncio como resposta
Quero sentir um amor tão puro que independa do que sente o outro
O outro que é sempre o outro
"Pois que eu sou eu e você é apenas você"
Amar o amor em si
Esse é o amor que não se explica, em pureza
Está em paz consigo e está em paz com o outro
É um amor que nasce como uma flor: é de dentro pra fora.
E então posso me permitir não entender
Pois eu sempre olhei para as coisas do mundo sem as ver, buscando nelas alguma compreensão.
Olho para o mar e não me pergunto porque é feito de água e tem gosto de sal
Nem porque o chamamos de "o mar" ou "la mer"
Nada disso importará
Nada muda a coisa em si.
Olho o céu e não me pergunto porque além dele existe um infinito inalcançável de um azul impossível.
Posso, enfim, olhar o verde das árvores e apenas amar o seu estado à luz do sol.
Nem mesmo quero descobrir pra onde seguem os carros pelas estradas solitárias e apressadas.
Ou ainda, quais são as habilidades necessárias àquele limpador de janelas que se sustentava corajosamente por um fio no alto dos prédios.
Pois, enfim, me basta amar a todas essas coisas
Amá-las por apenas serem.
Amar sem entender o que sinto
ao sabor de cada instante,
ao sabor de cada surpresa
Amar o que sente meu irmão, mesmo que eu nunca o possa saber (verdadeiramente) como se sente.
Amar este ser que sou
Amar este ser que você é
Sem nnunca os conhecer verdadeiramente
Porque "o verdadeiramente" nunca existiu.
Apenas isto.
Este ínfimo sentir é imenso para mim.
terça-feira, 30 de abril de 2013
sexta-feira, 19 de abril de 2013
momentos são momentos
ao mesmo tempo que sei de minha insuficiência, continuo tentando
nunca vou conseguir dizer o que sinto
porque quando verbalizo já é uma terceira coisa
tenho em mim todos os sentimentos do mundo
tudo por mim passa
nada em mim fica
tudo é possível
só eu impossível
as horas passam
os dias passam
os meses passam
pessoas passam
tudo cresce
tudo morre
tudo se
e
s
vai
e
s
corre
momento de olhar de dentro pra fora
de descobrir um novo mundo
de descobrir que posso ser tudo que quiser
e nada mais importa
só o que ainda não sei
diz que o esquecimento é uma falha de comunicação consigo mesmo.
nunca vou conseguir dizer o que sinto
porque quando verbalizo já é uma terceira coisa
tenho em mim todos os sentimentos do mundo
tudo por mim passa
nada em mim fica
tudo é possível
só eu impossível
as horas passam
os dias passam
os meses passam
pessoas passam
tudo cresce
tudo morre
tudo se
e
s
vai
e
s
corre
momento de olhar de dentro pra fora
de descobrir um novo mundo
de descobrir que posso ser tudo que quiser
e nada mais importa
só o que ainda não sei
diz que o esquecimento é uma falha de comunicação consigo mesmo.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
peso-leve do mundo ou leve o peso mundo
Me esvazio de quereres
tudo pode ser
nada pode ser
tudo é nada
que não se controla
e por isso pode ser o que for
o que pode ser, não importa
o que não for, não importa
tudo é nada
nada pra fazer sentido.
Hoje acordei sob sol brando
o olhar em branco
nada precisa ser
tudo já é.
Ando pela cidade que se contrói a minha volta
que um dia me engolirá
percebo os abismos que nos separam
uma rede de quereres, de coisas e ausências nos une quase por um fio
vejo esse outro que é apenas mais um continente
uma imensa ilha à deriva na multidão
nos ouvimos, nos olhamos, para quê?
tudo pode ser
nada pode ser
tudo é nada
que não se controla
e por isso pode ser o que for
o que pode ser, não importa
o que não for, não importa
tudo é nada
nada pra fazer sentido.
Hoje acordei sob sol brando
o olhar em branco
nada precisa ser
tudo já é.
Ando pela cidade que se contrói a minha volta
que um dia me engolirá
percebo os abismos que nos separam
uma rede de quereres, de coisas e ausências nos une quase por um fio
vejo esse outro que é apenas mais um continente
uma imensa ilha à deriva na multidão
nos ouvimos, nos olhamos, para quê?
quarta-feira, 3 de abril de 2013
a joão e ao amor
que tanto amo em joão?
não, não é a cor de seus olhos, nem como o céu reflete neles
também não é o modo sem preocupação com que movimenta seu corpo pelos lugares
não, não é a barba por fazer, também não é a forma como arruma o cabelo bagunçado
nem o tom ou a textura de sua pele (que poderia ser qualquer uma e sendo qualquer uma, eu ainda a amo por ser qualquer uma). talvez seja a maneira como olha sempre a frente o horizonte que é sempre agora, sim, talvez seja isso. não, mas acho que ainda não é. a maneira como acredita nesse horizonte sem medos. a maneira como olha para as cores das coisas e instantaneamente as cores das coisas lhe olham. esse amor que preservo por joão talvez seja o que tanto amo em joão. porque sou desses seres que estendem sentimentos por onde passa, que sentem à última gota, só pra sentir. que escrevem poema e acabam em prosa. e por tanto amar joão não ouso descobrir que tanto amo em joão.
"Amar a nossa falta mesma de amor, e na segura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito e a sede infinita." (Drummond)
não, não é a cor de seus olhos, nem como o céu reflete neles
também não é o modo sem preocupação com que movimenta seu corpo pelos lugares
não, não é a barba por fazer, também não é a forma como arruma o cabelo bagunçado
nem o tom ou a textura de sua pele (que poderia ser qualquer uma e sendo qualquer uma, eu ainda a amo por ser qualquer uma). talvez seja a maneira como olha sempre a frente o horizonte que é sempre agora, sim, talvez seja isso. não, mas acho que ainda não é. a maneira como acredita nesse horizonte sem medos. a maneira como olha para as cores das coisas e instantaneamente as cores das coisas lhe olham. esse amor que preservo por joão talvez seja o que tanto amo em joão. porque sou desses seres que estendem sentimentos por onde passa, que sentem à última gota, só pra sentir. que escrevem poema e acabam em prosa. e por tanto amar joão não ouso descobrir que tanto amo em joão.
"Amar a nossa falta mesma de amor, e na segura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito e a sede infinita." (Drummond)
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